terça-feira, 5 de outubro de 2010

De tanto

pensar,

esqueci

de trabalhar.



terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tinjo-finjo.

Dura mais o processo
que torna limpo o piso
do que o tempo em que
permanece intacta
essa parte; então,
se faz da sujeira
arte, estraga-se
a esterilização
da matéria, lisa;
gruda-se o excesso
através das solas dos sapatos,
faz-se o regresso de forma
contínua, constrói-se rotina.

O branco é um tom atraente
ao dano proposital, à ação
com dolo; dado que todos
os humanos são manchados
desde o início, toda alvidez
alheia deverá ser castigada;
da insensatez, se fará
uma teia de falsos
argumentos para que fique bem
claro que o escuro é mal,
que o transparente é legal,
que textura é banal e que
o desigual é consenso geral.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"Aquilo que não fazemos aflorar à consciência aparece em nossas vidas como destino."

- Carl Gustav Jung

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Medo.

Não é de hoje que enveredo
p'ro lado do medo do trivial;
é atemporal, em minha existência,
a simpatia pela fuga esportiva;
nativa decadência, carência
de intrínseca fibra, falência
dos fundos de galhardas vibrações.

Tardias, propositais, narrativas
ineficientes desde o meio; constantes
sensações de ser alheio ao próprio
livre arbítrio; insuficientes
explicações a mim e ti; não vivi
e não quero, porque nunca escolhi
ser o melhor, nem o primeiro.

Rápido e rasteiro é o movimento;
medida que não confere qualquer menor
descontentamento geral por parte
de quem espera muito mais daquele
ou daquilo; e o que está a consumi-lo
também aniquila minha auto-estima,
faz rima com a derrota, fabrica anedota.

Tanta energia acumulada, de papel passado,
caminho traçado, é alimento às traças
da força motriz da reinvenção pessoal;
nada é mais moral do que parecer
normal, mas não há banalidade mais clara
do que a não rara infeliz idéia
de não se atirar até bem cedo no novo.

Não desaprovo o culto à reputação;
os ocultos prazeres são encobertos
por dizeres passíveis de múltipla
interpretação; algumas inadmissíveis,
outras com velado perdão; e o êxtase
por perder o chão confirma a tese:
só envelhece quem torna o seu tempo vão.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Vetores.

Em meio a linhas mesquinhas, vetores
menores, pavores normais aos comuns,
alguns minutos tornam-se uma vida desperdiçada
à margem da tela, enquanto a cera da vela
da alma é dilacerada pelo fogo soldando as idéias.

A sobra de toda esse processo faz o serviço;
esse enguiço na cabeça tem razão, poesia,
música, emoção e tradição vagabunda; miúdos
valores jogados pela janela; censurados,
controlados ruídos; um pós-moderno retrocesso.

O progresso pessoal é suado, carente de brilho
intelectual; de ponto em ponto, bar em bar,
as semanas perdem-se junto aos sinais, banais
cabelos nos travesseiros, seguros apoios
para duros tempos de reflexiva solidão.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Treze vezes três

fumamos, bebemos, transamos
rimos, choramos e superamos
bebemos, rimos e dormimos
choramos, confiamos e vencemos
confiamos, esquecemos e seguimos
chegamos, fumamos e esquecemos
acordamos, comemos e rimos
comemos, jogamos e bebemos
ligamos, tentamos e perdemos
vivemos, vencemos e continuamos
lutamos, cansamos e trabalhamos
mudamos, combinamos e pagamos
transamos, dormimos e acordamos

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Busca insólita.

Não sei se te busco
ou se deixo tudo
como está; arriscar
fundo, cair no mundo
é loucura, e se me frustro,
toda a ternura que me resta
entrará em extinção.

Será vão este brado
de falso amor; insana,
incerta paixão, mundana
sensação de velhos tempos;
urgente prioridade sem razão
de ser; apostar p'ra perder,
escrever p'ra não ter que ler.

Se, hoje, pareço forte,
é porque tive muita sorte
no percurso; perdi o norte,
por vezes, e lancei mão
de todo o recurso remanescente
dos dias de calmaria, de crescente
sensibilidade, afetividade, serenidade.

Cansa demais ter que amar todo dia;
empenhar carinho pelo que se faz
demanda atenção, aguçada
percepção; o doce sabor da decisão
acertada tem alto valor e curta
duração; não decidi se abuso
da chance de perder o bonde.

Quero correr e não sei
p'ra onde; espero te ver,
e não te incomodes se me sentires
longe de ti, mesmo que a um palmo
de distância; a inconstância nunca
deixou de ser minha marca registrada,
e nessa estrada não existe sinalização.